29.07.2026
BMA
blegh é o primeiro estúdio de criação em Media Arts sediado em Braga
Numa entrevista a João Carlos Pinto — um dos responsáveis pelo atelier—, o artista desconstrói um inédito projeto dedicado ao desenvolvimento de propostas performativas que cruzam arte, tecnologia e pensamento contemporâneo. O estúdio cria performances, instalações e obras híbridas que cruzam som, luz, corpo e media digitais, procurando explorar formas de expressão que desafiam a lógica linear e a necessidade de coerência, interessando-se pelo glitch como linguagem, "pela instabilidade como método e pela tensão entre o humano e o maquínico enquanto espaço poético".
Consulte a entrevista na íntegra aqui.
Um dos impulsionadores deste projeto pioneiro menciona uma dualidade de razões que culminou na criação deste atelier. Uma primeira "profundamente pessoal" e uma outra relacionada com o contexto artístico em Braga, desta convergência emerge "blegh".
Na última década, a cidade bracarense tem-se afirmado como um polo nacional e internacional na interseção entre arte, ciência e tecnologia, nomeadamente com o título de Cidade Criativa da UNESCO no domínio das Media Arts, a cidade integra uma rede global de cidades em vários domínios criativos, um ecossistema global vivo onde a cultura e a criatividade são catalisadoras de mudança. João enaltece o "trabalho desenvolvido por diversas instituições nas áreas da programação, da curadoria, da investigação e da formação", porém sente que "existe ainda espaço para um agente cuja missão esteja centrada, acima de tudo, na criação, conceptualização e produção de novas obras". Esse é precisamente o espaço que blegh ambiciona ocupar.
O artista refere que o nome "foi escolhido por condensar, numa única palavra, um conjunto de tensões que atravessam a nossa prática artística". O estúdio abraça "a amplitude e a abertura" que o próprio conceito de Media Arts concede. Idealizam "um território onde diferentes disciplinas, linguagens e tecnologias podem coexistir sem a necessidade de se subordinarem umas às outras", confessando, inclusive, que muitas das "obras que imaginamos simplesmente não cabem numa única definição". Neste sentido, João complementa que a inclinação por esta vertente artística não surge de uma atração pela tecnologia em si, "mas como consequência de uma procura artística, deixando de fazer sentido estabelecer fronteiras rígidas entre disciplinas".
Quando questionado sobre que impacto o projeto teria na formação de novos públicos, o artista menciona que as Media Arts dispõem da capacidade de cruzar áreas do conhecimento divergentes e a inerência de transformar o público de um mero espetador para uma parte ativa da obra facilita a criação "de uma relação mais profunda com a cultura".
Num contexto atual marcado pela grande aceleração tecnológica com transformações e mutações a rimos alucinantes, João alega que o desafio não passa por acompanhar "novos modelos de inteligência artificial e novas formas de interação com sistemas digitais", acreditando que é "criar o tempo necessário para a compreender criticamente".
Em relação ao que desejam que no futuro o blegh representasse, João assume a vontade do estúdio ser "reconhecido pela qualidade e pela relevância das obras que conseguiu criar (...) pela capacidade de desenvolver projetos que permaneçam na memória das pessoas, que circulem internacionalmente e que contribuam de forma significativa para o panorama das Media Arts". A um nível regional, o artista confessa que o atelier quer contribuir para que "Braga seja reconhecida não apenas como um lugar onde se apresenta, programa ou investiga arte e tecnologia, mas também como um lugar onde se criam obras de referência", conclui.
Consulte a entrevista na íntegra aqui.