15.12.2025
BMA
Future Game celebrou a criatividade e a inovação dos videojogos independentes europeus em Braga
Realizado a 10 de dezembro, no gnration, o Future Game, promovido pela Braga Media Arts em colaboração com o Institut Français em Portugal, inscreveu-se num momento decisivo para a indústria europeia dos videojogos, marcado pela afirmação da cena independente e pelo reconhecimento internacional da indústria francesa enquanto ecossistema de referência. A recente premiação de Clair Obscur, jogo de estreia do estúdio francês Sandfall Interactive, reforça este contexto, evidenciando a capacidade dos estúdios independentes europeus para alcançar escala, visibilidade e impacto cultural.
Sob o tema “Game Worlds as Cultural Infrastructures: The Role of Videogames in Europe’s Emerging Creative Industries”, o programa articulou reflexão crítica e prática artística através da keynote de Vincent Moulinet, intitulada “Role-playing the corporate slop: a call for collective conspiracies”, na qual o artista e curador partiu da criação independente de jogos para explorar práticas coletivas de ficção especulativa, propondo o jogo e a suspensão da descrença como motores para a produção de novas narrativas no mundo real.
O debate, moderado por João Ribeiro, aprofundou estas questões ao abordar os videojogos como infraestruturas culturais que moldam relações entre jogadores, máquinas, corpos, comunidades, ecologias e identidades. A conversa cruzou práticas portuguesas e francesas, focando temas como sistemas não-humanos, fricção mecânica, subversão das gramáticas do jogo, worldbuilding crítico, comunidades emergentes e o papel político, social e ecológico do design de jogos contemporâneo script future gaming.
Em paralelo, a Arcade Room apresentou ao público uma seleção de jogos independentes de criadores portugueses e franceses — como CLT, Lady in a Bird Mask, i-land.online, 747.7, NIGHTSLINK, no shelter but my heart, The Siren e Playing the Game is Letting It Exist — materializando, através da experiência direta, as questões estéticas, políticas e tecnológicas discutidas ao longo do dia e evidenciando a vitalidade da criação independente europeia.
Durante o evento, houve também espaço para momentos de descontração e networking. O almoço foi um exemplo de convívio internacional, entre os convidados, parceiros do Future Game e no qual também marcou presença a Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Braga, Catarina Miranda.
O Future Game tece os seus mais profundos agradecimentos: ao Institut Français em Portugal, designadamente à Giusi Tinella e Philippe Mouchel; ao IPCA – Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, especialmente ao Professor Vítor Carvalho e à Eva Oliveira; aos Encontros da Imagem, pela disponibilidade de material para a Arcade Room; ao Pedro Cardoso, da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto; ao Eduardo Brito na co-curadoria dos jogos com a Eva Oliveira e o Pedro Cardoso; aos artistas cujos jogos integraram a Arcade Room, Vincent Moulinet, Abel Neto, Isaque Sanches, Stella Jacob, Catarina Teles, Mélanie Courtinat, André Sier, Not A Game Studio e ao João Ribeiro que moderou o debate.