29.07.2026

BMA


“O Vaivém é um processo de dar e receber, no qual alunos, professores e mediadores aprendem em conjunto”

O Vaivém é um projeto do Circuito - Serviço Educativo da Braga Media Arts dirigido aos alunos do 1.º ciclo de escolas da periferia da cidade de Braga, desenhado para aproximar a arte e a cultura dos mais novos. Ao longo de 12 sessões semanais, alimenta-se um processo de troca – uma oscilação de perguntas e respostas – criando um espaço de partilha e cocriação. Carlo Giovani, Mariana Abreu e Marta Pombeiro partilham a sua experiência como mediadores e refletem sobre a relevância de projetos desta natureza.

BMA_Circuito_Vaivém

Consulte a entrevista completa ao Carlo Giovani, Mariana Abreu e Marta Pombeiro aqui.

Na edição de 2026, o Vaivém colaborou com a Escola Básica de Sobreposta (Mariana), a Escola Básica de Fradelos (Marta) e Escola Básica de Ruílhe (Carlo). Quando interrogados sobre o que é este projeto, todos se serviram da ideia de “partilha”, uma permuta de saberes entre mediadores e participantes, tal como refere Marta Pombeiro: “a intenção é que se crie um diálogo e uma partilha artística muito descontraída entre estudantes e artistas em que o mais importante é a troca de experiências, a descoberta e a vontade de criar em conjunto”.

Um dos alicerces do Vaivém é a aproximação da arte e da cultura a comunidades, que no seu dia a dia não costumam ter acesso a este tipo de propostas culturais. Neste sentido, Mariana assinala que estas atividades são um complemento ao “ensino mais formal”, ao que Carlo colmata que “a participação em práticas artísticas, quando mediada de forma intencional, bem estruturada e crítica, pode contribuir para o desenvolvimento de competências cognitivas e simbólicas, incluindo interpretação, expressão e pensamento divergente”.

Os mediadores reconhecem a intenção de deixar “um legado no quotidiano da escola” (Mariana), acrescentando um “olhar externo e mais disruptivo (…) permitindo-lhes reconhecer e encontrar mais facilmente a arte na sua rotina” (Marta). Num mundo cada vez mais digital e assoberbado pela inteligência artificial, Carlo menciona que o Vaivém é um “espaço onde o mediador ou professor assuma, eventualmente, que, afinal, não tem uma resposta para um problema (mesmo que a tenha), retirando o saber concentrado numa única pessoa e partilhando-o com os demais através de uma investigação conjunta em busca de respostas e soluções. Pense no quão distantes e opostas estas ideias estão do meio das redes sociais, onde não há tempo nem espaço para a reflexão, ou do ambiente da IA, onde uma resposta certa é obtida em segundos”.

Um dos grandes desafios do Vaivém passa por equilibrar a componente artística com o ritmo e capacidade de alunos do 1.º ciclo, sendo que Carlo parece ter encontrado a solução ao deslocar-se de mediador para “experimentador, ao lado dos miúdos”. Marta fala de um processo de aprendizagem, admitindo que é preciso “desenvolver a nossa flexibilidade e capacidade de trabalhar com o imprevisto”.

De um ponto de vista mais pessoal, todos falam do projeto com bastante apreço. Mariana revela que “contacto direto com as crianças revelou a sua enorme capacidade de imaginar, questionar e desenvolver opiniões próprias sobre o espaço que habitam”. Marta realça que a periferia da cidade “permite abrandar o ritmo, aproveitar melhor o que nos rodeia, valorizar a natureza e estimular a imaginação e a criatividade, sem tantas distrações”. Carlo admite que, por vezes, “subestimamos ou tolhemos as capacidades das crianças, muitas vezes por não sabermos lidar ou direcionar a sua energia, a sua curiosidade e a natural dispersão do seu pensamento e das suas ações”.

Tanto Carlo como Marta fazem um balanço positivo do projeto, assim como a estreante Mariana, que confessa que o “projeto contribui para ampliar as experiências educativas das crianças e para reforçar a presença da criatividade, da imaginação, da experimentação”. Por sua vez, Marta, refere uma continuidade temática ao longo destes anos sendo que “é possível perceber que os temas explorados no ano anterior deixaram sementes para o futuro, pois muitas vezes as crianças retomam esses assuntos com curiosidade e reflexões próprias”.

Consulte a entrevista completa ao Carlo Giovani, Mariana Abreu e Marta Pombeiro aqui.